Notícia - Dia Mundial da Alfabetização: reinventando-se para assegurar o letramento durante isolamento social

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Em 8 de setembro, é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização, período marcado por inúmeras descobertas em que as crianças aprendem a desvendar o mundo encantado da leitura e da escrita.


A arte de educar já é um desafio por si só. Em tempos de crise sanitária global e da necessidade de adoção de medidas como o distanciamento social para garantir a segurança de toda a sociedade, principalmente no âmbito escolar, essa missão se tornou ainda mais instigante.

 

No Colégio Santo Inácio, os educadores têm se superado para driblar as adversidades impostas pela distância, sobretudo em uma fase marcada pela necessidade de acompanhamento constante dos professores e dos pais.

 

Para Andreia Salomão, coordenadora do 1º ano do Ensino Fundamental, a falta de um vínculo sólido com a escola, professores e colegas de turma foi um dos primeiros desafios a serem ultrapassados, uma vez que os pequenos alunos tinham acabado de chegar ao CSI e vivenciaram pouco mais de um mês de aulas.

 

“Tivemos o cuidado de mostrar aos pais que, apesar do ineditismo da situação e das novidades metodológicas inerentes ao novo contexto, nunca duvidamos da capacidade, do repertório pedagógico e da criatividade da nossa equipe de professores”, comenta Andreia. “Sabemos que o período de alfabetização costuma despertar, mesmo no presencial, muita insegurança diante do medo de que as crianças não consigam aprender a ler e a escrever e prevíamos que, com o ensino remoto, esse receio seria potencializado. Diminuir a ansiedade nas famílias foi fundamental para preparar os pais e as crianças para lidar com esse cenário.”

 

Nesse sentido, tentar se colocar no lugar das famílias foi o primeiro passo para estabelecer uma relação positiva com os responsáveis e conquistar os pequenos. Era preciso ressaltar que eles seriam parceiros nesse processo de adaptação ao ensino remoto. No primeiro momento, a equipe pedagógica do CSI optou em seguir com o ensino apenas por meio das videoaulas gravadas, a fim de que as famílias pudessem organizar os horários para acessar os conteúdos e atividades de acordo com a realidade de cada uma. Posteriormente, com uma rotina familiar mais estabilizada, foram inseridas no cronograma das turmas as aulas interativas.

 

A segunda preocupação levou em consideração o tempo de exposição às telas dos gadgets. Além de não ser recomendável passar muitas horas conectados, os professores tinham consciência de que as crianças dependeriam dos pais para acessar os conteúdos, pois ainda não sabiam ler. "Estar diante de um dispositivo é diferente de ter um professor à sua frente ensinando uma tarefa. Por isso, procuramos não abusar do tempo de tela e priorizamos a essencialidade de cada conteúdo, já que não teríamos o mesmo tempo de uma sala de aula presencial”, ressalta Andreia.

 

A busca por conteúdos lúdicos também fez parte da opção metodológica feita  pelos educadores. Não é novidade que a educação no CSI envolve um processo multidisciplinar, com uma didática que visa instigar as crianças através de atividades divertidas e sensoriais. Mas, em meio ao ensino remoto, a utilização de brincadeiras, jogos e aulas regadas a músicas e vídeos se tornou peça chave para transformar a aprendizagem dos pequenos estudantes em momentos de integração e aproximação com o ambiente escolar.

 

Buscamos minimizar os impactos do ensino remoto em relação ao conteúdo e ao lançamento das unidades que são o norte da alfabetização no CSI. No final de agosto, teve início a 5ª unidade, que tem como proposta o desenvolvimento da capacidade de observação, experimentação e curiosidade. Os alunos se vestiram de cientistas e desbravaram o encantável universo da ciência, com seus foguetes, estrelas e planetas.

 

Sem dúvidas, os indicadores que funcionam como termômetro para saber se as estratégias estão dando certo são os feedbacks dos pais e dos próprios alunos. A cada elogio recebido, a cada palavra de incentivo, a cada sorriso dado pelos pequenos, os desafios vão se transformando em estímulo para a busca de um novo modo de produção do conhecimento.

 

Como nesse período eles ainda não sabem ler, nas avaliações, por exemplo, os professores optaram por gravar os enunciados das questões para que eles pudessem respondê-las de acordo com as unidades que já tivessem aprendido. Os pais receberam também dicas de livros, jogos e atividades psicomotoras. A coordenação pedagógica da série ainda preparou vídeos respondendo às dúvidas mais frequentes das famílias.

 

Andreia destaca que, dentre todos os desafios ao longo desse período de pandemia, o maior deles foi pensar a melhor maneira de transmitir afeto através da tela de um computador. Em toda interação com os pais e os alunos, os professores fizeram questão de mostrar preocupação com as demandas das famílias. 

 

“Foi perceptível a nossa evolução metodológica à medida que o tempo foi passando também. Assim que os professores foram ganhando confiança no ambiente digital, passaram a ousar mais nas aulas, adaptando nosso modo de proceder baseado na aprendizagem integral a este novo cenário”, comenta. “E todos perceberam o carinho e o cuidado das professoras na preparação das videoaulas. Esse lado afetivo sempre foi muito ressaltado pelos responsáveis e isso é muito gratificante”.