Notícia - São falsas notícias sobre supostos danos ao cérebro causados pelos termômetros infravermelhos

Foto

Boatos de que os termômetros infravermelhos causam prejuízos ao cérebro têm circulado pelas redes sociais nas últimas semanas. Os dispositivos são utilizados para verificar a temperatura sem contato direto com a pessoa. Especialistas afirmam que as notícias se tratam de fake news, já que não há evidências científicas que comprovem a informação.


No retorno às atividades presenciais, todas as pessoas - alunos, responsáveis e visitantes - que entrarem nas dependências no Colégio Santo Inácio passarão por uma triagem, que inclui perguntas sobre o estado de saúde e medição de temperatura, feita com os termômetros infravermelhos.


A médica do trabalho do CSI, Ana Maria Bustani, explica que o dispositivo não emite nenhuma radiação em direção ao corpo humano. Ao contrário, ele faz a medição ao captar a radiação infravermelha emitida pelo próprio corpo e depois converte em um valor de temperatura. 


Segundo ela, um fator importante para garantir a precisão é que a aferição seja feita na testa: “Há estabelecimentos que estão adotando a aferição no pulso. Este método está errado, porque não há estudos que atestem que a temperatura obtida no pulso é a correta”.


Antes de serem comercializados, os termômetros passam por uma calibração e a testa é a área do corpo usada durante os testes. Por isso, em geral, é recomendado que esta região específica seja usada na medição no dia a dia por ser mais parecida com a da calibração e, assim, tenha uma maior fidelidade no resultado. 


As informações falsas apontam que o termômetro infravermelho causaria danos à glândula pineal, que está localizada na parte central do cérebro e é responsável pela produção de melatonina, um hormônio derivado da serotonina. A melatonina modula os padrões de sono nos ciclos circadianos e sazonais. Além de ser anatomicamente impossível que a glândula pineal seja atingida, o dispositivo mede a intensidade da radiação de infravermelho emitida pela superfície de um corpo, funcionando apenas como um detector, e não como uma fonte de radiação infravermelha. 


“A luz vermelha, existente em alguns termômetros do tipo e que costumam causar uma certa confusão, serve apenas como um guia para indicar o local correto para a medição da temperatura. É a intensidade da radiação emitida pelo próprio corpo que determina a nossa temperatura”, diz Ana Maria Bustani.


Vale ressaltar que o termômetro não identifica quem está contaminado com o novo coronavírus, mas, como um dos principais sintomas da doença é a febre, a medição de temperatura se tornou uma das medidas mais frequentes para identificar possíveis riscos e evitar a propagação da Covid-19. Aeroportos, supermercados e hospitais, entre outros lugares, têm adotado essa estratégia para prevenir o contágio. 

 

A utilização do termômetro infravermelho é o método mais seguro, pois diminui a possibilidade de contaminação cruzada entre pessoas. Além disso, o dispositivo é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve trazer o selo de conformidade do Inmetro, que comprova que o termômetro passou por ensaios focados na segurança do equipamento e está dentro dos parâmetros estabelecidos pela Anvisa.


A ingestão de bebidas e comidas ou a prática de atividade física durante ou minutos antes da medição podem ter reflexo na leitura do termômetro e levar a uma imprecisão. Por isso, o protocolo do CSI determina que, se houver alguma alteração suspeita na temperatura de uma pessoa, será feita uma nova medição após alguns minutos.

 

Caso a temperatura permaneça alta, a equipe fará uma investigação sobre o estado de saúde do indivíduo. Se não existirem outros sintomas que possam estar relacionados à Covid-19 ou se não houver causa aparente para a febre, a pessoa será orientada a procurar atendimento em uma unidade de saúde. No caso dos alunos menores de idade, os responsáveis serão imediatamente contactados.