Notícia - Após dois anos, alunos do CSI participam de experiência de fé e solidariedade no Projeto Arapiuns no interior do Pará

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Entre os dias 7 e 17 de junho, um grupo de alunos do Ensino Médio do Colégio Santo Inácio (CSI) viveu uma profunda experiência de fé e solidariedade no Projeto Arapiuns, que foi retomado após dois anos devido à pandemia de Covid-19. Durante a estadia em Anã, no Pará, eles conviveram com os ribeirinhos da comunidade e participaram de diversas ações de voluntariado educativo e ecoturismo junto aos estudantes da Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima.

 

Também tiveram aulas de sustentabilidade na floresta amazônica e aprenderam conceitos básicos para realizar a instalação dos painéis de energia solar, que vão contribuir com o funcionamento da unidade educativa, desde o ensino em sala de aula até a melhoria da merenda escolar.

 

Com acesso restrito a energia elétrica, a própria escola de Anã apresentou ao CSI o projeto de geração de energia a partir de painéis solares. A iniciativa foi abraçada pelo Colégio e os próprios estudantes realizaram uma série de ações para arrecadar fundos para a instalação do sistema fotovoltaico, como a organização de campanhas de doação do troco da compra na cantina, lanche solidário em todos os segmentos do Diurno e até sessões de cinema, com venda de pipoca e brigadeiros.

 

Juliana Lima, assessora de projetos sociais e voluntariado do CSI, conta que os inacianos puderam ver de perto os desafios daqueles que lutam para conseguir estudar. “Para os nossos estudantes, que no dia a dia têm fácil acesso à internet e a uma ótima infraestrutura, certamente foi um choque ao se depararem com uma realidade completamente diferente. Em dias chuvosos, por exemplo, os estudantes de Anã não conseguiam enxergar nada dentro de sala de aula. Nossos alunos viram também os ambientes bem simples e com poucos recursos que as crianças têm acesso na escola municipal.”

 

O contato com outras realidades sociais é fundamental para a formação integral dos nossos estudantes e o Projeto Arapiuns dialoga diretamente com as três dimensões do processo de aprendizagem no CSI: cognitiva, socioemocional e espiritual-religiosa. Como parte da atividade pedagógica, elas estão voltadas não apenas ao aprimoramento acadêmico dos estudantes, mas também à interação e à ação do sujeito sobre o mundo segundo os valores inacianos, como a busca pela Justiça, o serviço aos demais e a solidariedade.

 

“Foi uma experiência transformadora estar na Amazônia, uma das florestas de maior biodiversidade do mundo, e ter um contato diário com a natureza. Também foi muito tocante ver como os moradores de Anã são felizes, o que nos fez refletir sobre nossa própria realidade”, diz Natália Costa, aluna da 1ª série do Ensino Médio do CSI. “Depois das aulas, os alunos tomam banho no rio, brincam e pulam do trapiche. É uma pureza, uma ingenuidade, uma simplicidade que mexeu muito com a gente. Criamos uma relação de muita cumplicidade com cada uma das crianças e tudo isso que vivemos nesses dias ficará marcado para o resto da minha vida”, conta.

 

Incentivado pelo avô a participar do Projeto Arapiuns, Matheus Pimenta, estudante da 3ª série do EM, percebeu que não poderia deixar de vivenciar esta oportunidade. “Nós chegamos lá com o intuito de ajudar, mas o aprendizado acaba sendo recíproco. A alegria que percebemos nas crianças e nos moradores da região é contagiante. Conhecer uma cultura e realidade diferente da nossa é muito importante para sairmos da bolha em que vivemos e perceber que nem todo mundo tem uma vida como a nossa. Isso muda a nossa perspectiva sobre o mundo,” relata o aluno.

 

O Projeto Arapiuns acontece desde 2016 na comunidade de Anã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, às margens do Rio Arapiuns, onde fica a escola municipal, que conta com 139 crianças e adolescentes de 5 a 18 anos. A iniciativa, que faz parte das ações da Cultura do Cuidado, está profundamente identificada com a perspectiva que nos propõe a Igreja hoje e dialoga com duas preferências apostólicas da Companhia de Jesus: a segunda, que nos impele a caminhar ao lado daqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social e a quarta, nos guiando a colaborar no cuidado com a Casa Comum. A atividade também está em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU no Brasil.